“A nossa culpa cresceu até aos céus.” (Esdras 9:6)
Uma pintura de Rembrandt mostra a cruz de Jesus Cristo sendo erigida no Gólgota. Uma execução desse tipo era lenta e torturante. Ao pé da cruz, bem no centro da pintura, está um jovem, facilmente reconhecível como o próprio Rembrandt em sua juventude, executando ordens. Ele é um cúmplice ajudando na laboriosa obra, e assim participando um pouco da culpabilidade humana. Embora o prazer de Rembrandt em se auto-retratar seja uma característica bem conhecida de sua obra, é surpreendente encontrá-lo desempenhando uma parte desumana nesta cena.
O que Rembrandt está descrevendo aqui é um comentário muito pessoal daquilo que hoje é conhecido como complexo de culpa. O que torna isso digno de crédito é o fato de que ele se auto-apresenta como um ajudante cúmplice, não apontando o dedo aos outros que levam sobre si um maior fardo de culpa. O que ele está dizendo, através da pintura, é: "Eu tenho uma parte nesta injustiça!"
Quando a questão é a culpabilidade, poucas pessoas seguem o exemplo de Rembrandt. Normalmente criticam ou culpam os outros. Mas aqui não se trata da culpabilidade de outras pessoas: Rembrandt estava consciente de que ele era culpado diante de Deus, cujas santidade e justiça devem ser reverenciadas. O fato de que Jesus Cristo teve de sofrer uma vergonhosa e cruel morte na cruz é uma questão que diz respeito a todas as pessoas: todos nós somos culpados porque todos nós somos pecadores. O reconhecimento deste fato é o ponto central deste assunto.
Rembrandt e muitos de seus contemporâneos perceberam algo da responsabilidade pessoal pela morte de Cristo, confessando isso posteriormente. É isso o que os distingue da maioria das pessoas no começo deste novo século. Mas a culpa pessoal pela crucificação não era apenas algo da Idade Média; é também uma questão bem atual.
Que o Senhor toque seu coração, transformando-o de glória em glória, até que seja dia perfeito.
Pr. Arthur Malta
Ministério Arthur e Rosalee
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